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Destaques
A integração pela via do entendimento bilateral – Editorial Seminario 2007

Chegamos ao último seminário bilateral de 2007. E a escolha da Argentina para fechar
a série do ano foi mais do que pertinente. Afinal, estamos falando do principal parceiro
comercial do Brasil e sócio importante do Mercosul. Este foi o segundo seminário bilateral Brasil-Argentina realizado (o primeiro foi em 2005). Desde então, alguns pontos
do relacionamento entre os dois países sofreram mudanças. Se, à época, o mundo ainda
via com incerteza o rumo que a economia argentina poderia tomar depois de passar
pela mais aguda crise financeira da sua história (agravada após a polêmica renegociação
da dívida pública do país), hoje os desafios internos são outros e temas como inflação e
déficit de energia ganham destaque.
Realizado no dia 03 de dezembro de 2007, o Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Argentina teve como objetivo tratar esses e outros temas,
assim como traçar análises sobre possíveis influências nas relações entre os dois países.
A série de seminário promovida pela FEDERAÇÃO DAS CÂMARAS DE COMÉRCIO
EXTERIOR, um dos mais bem-sucedidos encontros do setor de comércio exterior no
Brasil, conta com o apoio e participação do governo federal, através dos Ministérios das
Relações Exteriores e do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, das principais associações de classe, tais como a Confederação Nacional de Comércio (CNC), a
Câmara de Comércio Internacional – ICC, a Associação de Comércio Exterior do Brasil
(AEB) e o Conselho das Câmaras de Comércio das Américas.
A economia argentina vem demonstrando, desde 2003, um ritmo de crescimento
bastante expressivo – média de 9% – e, mesmo ainda longe de voltar aos níveis de consumo da população vistos no período pré-crise, verifica-se uma retomada do poder de
compra local, o que representa boas oportunidades para o comércio brasileiro no país
vizinho. No entanto, mesmo com esse quadro favorável interno argentino, as discussões
a respeito da formação de um livre-comércio entre os dois países ainda não chegaram
a um consenso. As reuniões e comissões formadas por representantes do governo e do
setor privado de Brasil e Argentina mostram que ainda há muitas arestas a serem aparadas,
como o tema que trata do não licenciamento-automático de produtos de linha branca e
calçados produzidos no Brasil.
Apesar dos entraves, é reconhecível o bom momento nas relações bilaterais. Inúmeras
empresas brasileiras aportam vultosos investimentos na Argentina, com destaques para
a Petrobras e a Construtora Andrade Gutierrez. O compromisso da atual presidente
Cristina Kirchner em aprofundar a integração continental sinaliza que os obstáculos hoje
existentes podem ser superados em médio prazo.
A FCCE, mais uma vez, observa a necessidade de fortalecer os canais diplomáticos e
empresariais dos dois países para que, juntos, encontrem o caminho do comércio forte e
que propicie melhorias quantitativas e qualitativas para os povos de Brasil e Argentina. Isso
porque sem um real entendimento entre esses países, o ideal de integração do continente
não sairá do campo das intenções. Portanto, temos a plena certeza de que a missão de
trazer o debate e incentivar reflexões acerca das relações bilaterais tenha sido cumprida,
conforme o leitor poderá comprovar pelas páginas que assim seguem.

Federação das Camaras de Comércio Exterior 2020